segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Ética da Idade Média: a ideia de livre-arbítrio segundo Santo Agostinho



Santo Agostinho (século III) transformou a ideia de purificação da alma, da filosofia de Platão, na ideia da necessidade de elevação ascética para compreender os desígnios de Deus. Também a ideia da imortalidade da alma, presente em Platão, foi retrabalhada por Agostinho na perspectiva cristã.

Mas a ética agostiniana destaca-se por outro conceito. Ao tentar explicar como pode existir o mal e se tudo vem de Deus - e Deus é bondade infinita -, Santo Agostinho introduziu a ideia de liberdade como livre-arbítrio, isto é, a noção de que cada indivíduo pode escolher livremente entre aproximar-se Dele. O afastamento de Deus é que seria o mal, de acordo com o filósofo.

Com a noção de livre arbítrio, Agostinho acentuou o papel da subjetividade humana nas coisas do mundo. O livre-arbítrio é o meio pelo qual o ser humano realiza sua liberdade, mas, de acordo com a concepção cristã, cada indivíduo pode usa-lá bem ou mal - e é no mau uso que estaria a origem de todo mal.

De outro lado, o conceito de livre-arbítrio esvaziou a noção grega de liberdade como possibilidade de realização plena dos indivíduos em seu meio social. Em outras palavras, diminuiu a importância da dimensão social de liberdade, e esta passou a ter um caráter mais pessoal, subjetivo, individualista. 


COTRIM, Gilberto; FERNANDES, Mirna. Fundamentos de filosofia. 1ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 300.

Questões

1. O que é o bem e o mal para o filósofo Santo Agostinho?
2. Como Santo Agostinho define o livre-arbítrio?
3. Com relação a noção grega, quais as mudanças de liberdade provocadas pelas ideias de Santo Agostinho?

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

ÉTICA

A palavra ethos é de etimologia grega e significa comportamento, ação, atividade. É dela que deriva a palavra ética. A ética é, portanto, o estudo do comportamento, das ações, das escolhas e dos valores humanos. Mas no nosso cotidiano ocorre de percebermos que há uma série de modelos de “éticas” diferentes que postulam modos de vida e de ação, por vezes excludentes. Qual é o melhor tipo de vida (se é que há um)? O que é a felicidade? É melhor ser feliz ou fazer o bem ou o que é certo?
Perguntas como essas são feitas em todas as épocas da história humana. E desde a antiguidade clássica dos gregos, já havia muitos modelos de respostas para elas.




Proposta de Redação

Escreva, pelo menos 15 linhas, sobre o que faz uma pessoa ser ética no cotidiano. Cite exemplos de atitudes éticas no dia a dia.


segunda-feira, 9 de setembro de 2013


8° ano B


HISTÓRIA DA ÉTICA

Ética socrática

A ética socrática reside no conhecimento e em vislumbrar na felicidade o fim da ação. Essa ética tem por objetivo preparar o homem para conhecer-se, tendo em vista que o conhecimento é a base do agir ético. Ao contrário de fomentar a desordem e o caos, a filosofia de Sócrates prima pela submissão, ou seja, pelo primado da ética do coletivo sobre a ética do individual. Neste sentido, para esse pensador, a obediência à lei era o limite entre a civilização e a barbárie. Segundo ele, onde residem as ideias de ordem e coesão, pode-se dizer garantida a existência e manutenção do corpo social. Trata-se da ética do respeito às leis e, portanto, à coletividade.

Fonte: http://jfariaadvogados.wordpress.com/2010/01/27/a-etica-de-socrates/



A ética de Platão


Temos uma visão extremamente dualista da relação entre corpo e alma, isto é, uma oposição estrutural entre, do lado supra-sensível, a alma e, do lado sensível, o corpo. O corpo é um impedidor, tanto do conhecimento quanto da moral. O corpo impede a cognição, assim como os prazeres corporais impedem o bem-agir.
O corpo não é apenas um receptáculo da alma, que lhe dá vida, e para a qual ele existe como um instrumento em função das atividades anímicas.
O corpo, antes de mais nada, é um cárcere para a alma, um lugar de aprisionamento, podendo impedir tanto o desenvolvimento cognitivo, como o ético.
O corpo é a fonte de todos os males: fonte de amores insanos, paixões doentias, cólera, inimizades, ignorância e loucura.
Alguns princípios da ética platônica estão condicionados à distinção entre corpo e alma. Essa distinção que toma o corpo como cárcere, se sobreporá uma outra, metafísica, da alma como ser inteligível e copro como ser sensível.
Fuga do corpo => desejar viver verdadeiramente, ou seja, exercitar a vida na dimensão pura da alma.
Fuga do mundo => tornar-se virtuoso e procurar assemelhar-se ao divino.

Fonte: http://filosoficando.wordpress.com/2009/10/31/a-etica-platonica/


A ética de Aristóteles


Em seu livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles consagrou a tão famosa ética do meio-termo. Em meio a um período de efervescência cultural, o prazer e o estudo se confrontam para disputar o lugar de melhor meio de vida. No entanto, a sobriedade de nosso filósofo o fez optar por um caminho que condene ambos os extremos, sendo, pois, os causadores dos excessos e dos vícios.
A metrética (medida) que usa o estagirita (Aristóteles era chamado assim por ter nascido em Estagira) procurava o caminho do meio entre vícios e virtudes, a fim de equilibrar a conduta do homem com o seu desenvolvimento material e espiritual. Assim, entendido que a especificidade do homem é a de ser um animal racional, a felicidade só poderia se relacionar com o total desenvolvimento dessa capacidade. A felicidade é o estado de espírito a que aspira o homem e para isso é necessário tanto bens materiais como espirituais.
Aristóteles herda o conceito de virtude ou excelência de seus antecessores, Sócrates e Platão, para os quais um homem deve ser senhor de si, isto é, ter autocontrole (autarquia). Trata-se do modo de pensar que promove o homem como senhor e mestre dos seus desejos e não escravos destes. O homem bom e virtuoso é aquele que alia inteligência e força, que utiliza adequadamente sua riqueza para aperfeiçoar seu intelecto. Não é dado às pessoas simples nem inocentes, tampouco aos bravos, porém tolos. A excelência é obtida através da repetição do comportamento, isto é, do exercício habitual do caráter que se forma desde a infância.
Segundo Aristóteles, as qualidades do caráter podem ser dispostas de modo que identifiquemos os extremos e a justa medida. Por exemplo, entre a covardia e a audácia está a coragem; entre a belicosidade e a bajulação está a amizade; entre a indolência e a ganância está a ambição e etc. É interessante notar a consciência do filósofo ao elaborar a teoria do meio-termo. Conforme ele, aquele que for inconsciente de um dos extremos, sempre acusará o outro de vício. Por exemplo, na política, o liberal é chamado de conservador e radical por aqueles que são radicais e conservadores. Isso porque os extremistas não enxergam o meio-termo.
Portanto, seguindo o famoso lema grego “Nada em excesso”, Aristóteles formula a ética da virtude baseada na busca pela felicidade, mas felicidade humana, feita de bens materiais, riquezas que ajudam o homem a se desenvolver e não se tornar mesquinho, bem como bens espirituais, como a ação (política) e a contemplação (a filosofia e a metafísica).

Fonte: http://www.brasilescola.com/filosofia/a-concepcao-felicidade-na-Etica-aristotelica.htm



QUESTÕES: Ética grega (Antiguidade)

1. O que é o meio-termo, a felicidade e a virtude para Aristóteles?

2. Explique a seguinte frase de Aristóteles: "Nada em excesso".

3. Qual o objetivo da ética socrática?

4. Explique a ética dualista corpo-alma de Platão de forma resumida.  







8ª série A/ 8ª série B


Filosofia Política

filosofia política pode ser definida, de acordo com Norberto Bobbio (2000), de quatro maneiras:

  1. Filosofia política como determinação do Estado perfeito: quando a filosofia busca construir modelos ideais de Estado ou convivência política fundamentada em valores;
  2. Filosofia política como determinação da categoria “política”: quando a filosofia busca esclarecer os significados e o alcance do conceito e da atividade política;
  3. Filosofia política como procura do critério de legitimidade do poder: quando a filosofia procura responder à questão dos fundamentos da necessidade da obediência ao poder político;
  4. Filosofia política como metodologia da ciência política: quando a filosofia busca esclarecer os pressupostos epistemológicos que tornam possível a Ciência Política.


BOBBIO, Norberto. Teoria geral da política: a filosofia política e as lições dos clássicos. Tradução de Daniela Beccaccia Versiani. 11. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000.


Fonte: http://www.portalconscienciapolitica.com.br/filosofia-politica/






A tipologia das três formas do poder



Os estudos de política geralmente iniciam com uma análise do fenômeno do poder social. Bertrand Russel definiu-o da seguinte maneira: “Poder é a posse dos meios que levam à produção de efeitos desejados”. 

Em outras palavras, o indivíduo que detém os meios de poder torna-se capaz de exercer várias formas de domínio e, por meio delas, pode alcançar os efeitos que desejar. 

O fenômeno do poder costuma ser dividido em duas categorias: o poder do homem sobre a natureza e o poder do homem sobre outros homens. Frequentemente, essas duas categorias de poder andam juntas, uma influindo na outra. 
A ciência política estuda, sobretudo, o poder do homem sobre outros homens, isto é, o poder social, mas também se interessa pelo poder sobre a natureza, porque essa categoria de domínio também se transforma em instrumento de poder social. 
Se levarmos em conta o meio do qual se serve o detentor do poder para conseguir os efeitos desejados, destacam-se três formas de poder: o econômico, o ideológico e o político.
O poder econômico utiliza a posse de certos bens socialmente necessários para induzir aqueles que não os possuem a adotar determinados comportamentos, como, por exemplo, realizar determinado trabalho. 
O poder ideológico utiliza a posse de certas idéias, valores, doutrinas, para influenciar a conduta alheia, induzindo as pessoas a determinados modos de pensar e agir. 
O poder político utiliza a posse dos meios de coerção social, isto é, o uso da força física considerada legal ou autorizada pelo direito vigente na sociedade. 
O poder econômico preocupa-se em garantir o domínio da riqueza controlando a organização das forças produtivas por exemplo: o tipo de produção e o alcance de consumo das mercadorias. O poder ideológico preocupa-se em garantir o domínio sobre o saber controlando organização do consenso social (por exemplo: os meios de comunicação de massa – televisão, jornais, rádios, revistas, etc.). E o poder político preocupa-se em garantir o domínio da força institucional e jurídica controlando os instrumentos de coerção social (por exemplo: forças armadas, órgãos de fiscalização, polícia, tribunais, etc.).






Questões: FILOSOFIA POLÍTICA

Obs.: utilize também o texto do caderno para responder

1. Quais as definições de política e poder descritas nos textos?
2. O que a ciência política estuda?
3. Explique com os exemplos próprios ou citados nos textos sobre  os três tipos de poderes.
4. O que a filosofia política estuda? Podemos dizer que filosofia política e ciência política são as mesmas coisas? Por quê?
5. Atualmente a política segue os ideais políticos em que os filósofos sonharam? Por quê? Argumente bem sobre sua resposta.

ATIVIDADE AVALIATIVA: REDAÇÃO (FAÇA EM FOLHA SEPARADA PARA ENTREGA)

Escreva (30 a 40 linhas) um texto pessoal explicando a condição da política atual. Explique os problemas em que a corrupção ocasiona para a sociedade e o que o governo deveria melhorar no oferecimento de serviços públicos (saúde, educação, segurança, moradia, economia, transporte, leis, etc.).


7°A/7°B

Democracia Ateniense


No estudo das sociedades clássicas costumamos destacar especialmente o incisivo papel em que as práticas e instituições nascidas no mundo grego influenciaram a formação do mundo contemporâneo. Entre as várias instituições consolidadas no mundo grego, a noção de democracia é uma das que mais despertam nosso interesse na busca por paralelos que aproximem o mundo antigo do contemporâneo.


A história da democracia ateniense pode ser compreendida à luz de uma série de transformações sofridas pela sociedade e economia ateniense. Até os séculos VII e VI, o poder político ateniense era controlado por uma elite aristocrática detentora das terras férteis de Atenas: os eupátridas ou “bem nascidos”.

A democracia em Atenas tinha um conceito diferente do atual.

Nesse meio tempo, uma nascente poderosa classe de comerciantes, os demiurgos, exigia participação nos processos decisórios da vida política ateniense. Além disso, pequenos comerciantes e proprietários acometidos pela escravidão por dívidas, exigiam a revisão do poder político ateniense. Com isso, os eupátridas viram-se obrigados a reformular as instituições políticas da cidade-Estado.


Um grupo de legisladores foi responsável por um gradual processo de transformação política. Em 621 a.C., Drácon resolveu estabelecer um conjunto de leis escritas que dariam lugar às leis orais anteriormente conhecidas pelos eupátridas. Mesmo não enfraquecendo o poder da aristocracia essa primeira medida possibilitou uma nova tradição jurídica que retirava o total controle das leis invocadas pelos eupátridas.



A partir de 594 a.C., Sólon, o novo legislador, ampliou o leque de reformas políticas em Atenas, eliminou a escravidão por dividas e resolveu dividir a população ateniense por meio do poderio econômico de cada indivíduo. Dessa forma, os comerciantes enriquecidos conquistaram direito de participação política. Além disso, novas instituições políticas foram adotadas.



A Bulé ou Conselho dos Quinhentos era um importante órgão legislativo que dividia as funções antes controladas pelo Areópago ateniense controlado pelos aristocratas. A Eclésia foi uma instituição mais ampla onde os cidadãos poderiam aprovar ou rejeitar as leis elaboradas pela Eclésia. Por último o Helieu seria composto por juízes incumbidos de julgar os cidadãos atenienses de acordo com as leis escritas.



Em resposta, as elites agrárias atenienses rivalizaram com esse primeiro conjunto de mudanças. A agitação política do período deu margem para que ações golpistas abrissem espaço para a ascensão dos governos tirânicos. Os principais tiranos foram Psístrato, Hiparco e Hípias. No fim do século VI a.C. a retração dos direitos políticos mais amplos incentivou uma mobilização popular que levou à ascensão política de Clístenes, em 510 a.C..



Em seu governo, os atenienses passavam a ser divididos em dez tribos que escolhiam seus principais representantes políticos. Todo ateniense tinha por direito filiar-se a uma determinada tribo na qual ele participaria na escolha de seus representantes políticos no governo central. Dessa maneira, o grau de participação entre os menos e mais abastados sofreu um perceptível processo equalização.



Outra ação importante, a medida de Clístenes foi a adoção do ostracismo. Por meio desta, todo e qualquer indivíduo considerado uma ameaça ao governo democrático seria banido por dez anos. Apesar de seu isolamento, o punido ainda teria direito de posse sobre suas terras e bens. De forma geral, esse foi um importante dispositivo que impedia o surgimento de novos tiranos em Atenas.



Aparentemente, podemos concluir que Clístenes foi o reformador capaz de estabilizar o regime democrático ateniense. Alem disso, ficamos com a ligeira impressão de que a igualdade entre os cidadãos de Atenas fora realmente alcançada. Porém, o conceito de cidadania dos atenienses não englobava, de fato, a maioria da população.



Somente os homens livres, de pai e mãe ateniense, maiores de 18 anos e nascidos na cidade eram considerados cidadãos. As mulheres, escravos e estrangeiros não desfrutavam de nenhum tipo de participação política. Dessa forma, a democracia ateniense era excludente na medida em que somente um décimo da população participava do mundo político ateniense.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola





Questões: Democracia Ateniense 


Obs.: utilize também o texto do caderno para responder

1. Quais as principais características da democracia ateniense em que se diferencia da democracia atual?

2. O que foi o ostracismo?

3. Comente sobre o conselho dos quinhentos.

4. Como surgiram os governos tirânicos?

5. Qual a importância de Clístenes para a história da democracia ateniense? 


ATIVIDADE AVALIATIVA (FOLHA SEPARADA PARA ENTREGA)

Faça um resumo das transformações da sociedade e economia ateniense que ocasionaram no surgimento da democracia.


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Por que Filosofia para Semideuses?

O ser humano tem dentro de si potencialidades divinas e humanas. Quando pensei em criar o título Filosofia para Semideuses, tive o insight (inspiração ou intuição) de valorizar a capacidade racional (divina) com as limitações humanas (paixões).

Não quero representar a palavra divina fazendo referências à mitologia grega, por que os deuses gregos não demonstraram a pureza ou essência do divino por ser falhos como os humanos.            

Acredito que um Deus maior pode se identificar melhor com a racionalidade, porém, na religião ou teologia alcançamos pela fé, mas pela filosofia podemos apenas alcançar pelo logos (palavra, verbo, argumento) ou até mesmo pelo mundo das ideias platônico.

As paixões que estão contidas em nossas vivências podem nos fazer limitados, podendo nos cegar ou até mesmo nos fazer com que percebemos apenas sombras em nosso mundo sensível (Platão). Devemos arquitetar ou planejar com o saber. 

Assim, seres completos pela humanidade que habita dentro de nós, mas também jamais perderemos a nossa herança divina. Somos semideuses por nossas limitações baseadas na ignorância, e também pelas capacidades de examinar por intermédio da razão. Sei que não conheço tudo, mas isso não significa que devo permanecer na ignorância, afinal, quanto menos sei, mais devo buscar o saber: "Sei que nada sei!" (Sócrates).
                                                                                   
Tenho esperanças em que essa semente de sabedoria possa um dia ser uma grande árvore, com frutos doces e nutritivos para o desenvolvimento de habilidades de nossos conhecedores da existência humana. E que esses saberes sejam alicerces para surgirem médicos, arquitetos, políticos, economistas, professores, advogados, etc.

Bons Estudos a Todos!


Prof° de Filosofia Eduardo L G Camargo