Santo Agostinho (século III) transformou a ideia de purificação da alma, da filosofia de Platão, na ideia da necessidade de elevação ascética para compreender os desígnios de Deus. Também a ideia da imortalidade da alma, presente em Platão, foi retrabalhada por Agostinho na perspectiva cristã.
Mas a ética agostiniana destaca-se por outro conceito. Ao tentar explicar como pode existir o mal e se tudo vem de Deus - e Deus é bondade infinita -, Santo Agostinho introduziu a ideia de liberdade como livre-arbítrio, isto é, a noção de que cada indivíduo pode escolher livremente entre aproximar-se Dele. O afastamento de Deus é que seria o mal, de acordo com o filósofo.
Com a noção de livre arbítrio, Agostinho acentuou o papel da subjetividade humana nas coisas do mundo. O livre-arbítrio é o meio pelo qual o ser humano realiza sua liberdade, mas, de acordo com a concepção cristã, cada indivíduo pode usa-lá bem ou mal - e é no mau uso que estaria a origem de todo mal.
De outro lado, o conceito de livre-arbítrio esvaziou a noção grega de liberdade como possibilidade de realização plena dos indivíduos em seu meio social. Em outras palavras, diminuiu a importância da dimensão social de liberdade, e esta passou a ter um caráter mais pessoal, subjetivo, individualista.
COTRIM, Gilberto; FERNANDES, Mirna. Fundamentos de filosofia. 1ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 300.
Questões
1. O que é o bem e o mal para o filósofo Santo Agostinho?
2. Como Santo Agostinho define o livre-arbítrio?
3. Com relação a noção grega, quais as mudanças de liberdade provocadas pelas ideias de Santo Agostinho?
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